Em setembro de 2026, revisando o próprio site da Castro Tech, encontramos um problema que aparece em muito site moderno: para quem olha no navegador, estava tudo certo. Para os robôs de busca, o site era praticamente uma página em branco.

O site tinha sido feito em React, uma das bibliotecas mais usadas para construir sites e sistemas. Nada de errado com a escolha. O problema estava em onde o conteúdo era montado.

O que o robô recebia

Quando o Google ou o ChatGPT pedem uma página, a primeira coisa que chega é o HTML. No nosso caso, o HTML de todas as páginas era o mesmo arquivo, com um bloco vazio onde o conteúdo deveria estar:

<div id="root"></div>

O texto só aparecia depois que o navegador baixava e executava o JavaScript. Isso se chama renderização no lado do cliente. Para uma pessoa, a diferença é de fração de segundo. Para um robô, muda tudo.

Três sintomas que encontramos

  • Mesmo título em todas as páginas. No HTML original, a página de serviços, a de contato e a home tinham o mesmo title. O título certo só era trocado pelo JavaScript depois.
  • Canonical apontando para a home. A tag que diz ao Google qual é o endereço oficial de cada página apontava para a página inicial em todas as URLs. É um convite para o Google tratar as páginas internas como cópia da home.
  • Página inexistente respondendo como se existisse. Um endereço inventado devolvia o status 200 (sucesso) em vez de 404. O Google chama isso de soft 404.

O Google lê JavaScript. Os robôs de IA, não.

O Googlebot executa JavaScript, mas em uma segunda etapa: primeiro ele baixa o HTML, depois coloca a página numa fila para renderizar. Funciona, só que com atraso e com espaço para erro, como os três sintomas acima.

Com os robôs das ferramentas de IA a situação é pior. Um estudo da Vercel com a MERJ analisou mais de 500 milhões de acessos do GPTBot, o robô da OpenAI, e não encontrou execução de JavaScript. O mesmo vale para o ClaudeBot e o PerplexityBot. Se o conteúdo depende de JavaScript, para essas ferramentas ele não existe.

Isso importa cada vez mais: parte das pessoas já pergunta ao ChatGPT ou ao Perplexity qual empresa contratar, e essas ferramentas só conseguem citar o que conseguem ler.

Como testar o seu site em dois minutos

  1. Veja o código-fonte. Abra uma página interna do seu site e aperte Ctrl+U. Procure (Ctrl+F) uma frase do texto da página. Se ela não estiver lá, o conteúdo depende de JavaScript.
  2. Confira o título. No mesmo código-fonte, veja se o <title> é o da página que você abriu ou o da home.
  3. Teste um endereço inventado. Acesse algo como seusite.com.br/teste-123. Deveria aparecer uma página de erro com status 404. No Chrome, dá para ver o status na aba Rede das ferramentas do desenvolvedor (F12).
  4. Pergunte ao Google. No Search Console, use a Inspeção de URL numa página interna e veja o campo "canonical selecionado pelo Google". Se ele mostrar a home, o Google está juntando as páginas.

Como resolver sem trocar de tecnologia

Não é preciso trocar de linguagem. Um site em PHP entrega o HTML pronto por padrão, e é por isso que muitos sites simples em WordPress não têm esse problema. Um site em React pode fazer o mesmo de duas formas:

  • Renderização no servidor (SSR): o servidor monta o HTML a cada visita. É o que fazem frameworks como Next.js e TanStack Start. Faz sentido quando o conteúdo muda o tempo todo.
  • Pré-renderização (SSG): o HTML de cada página é gerado uma vez, na hora de publicar o site. Para site institucional, costuma ser a melhor opção: fica rápido e a hospedagem continua barata.

No site da Castro Tech usamos pré-renderização. Cada página agora é gerada com o próprio título, descrição, canonical e dados estruturados, e endereços que não existem voltam com 404 de verdade.

Resumo

  • O que conta para o Google e para a IA é o HTML que chega, não a linguagem em que o site foi feito.
  • Site montado só no navegador pode ter título e canonical errados no HTML original.
  • Robôs de IA como GPTBot, ClaudeBot e PerplexityBot não executam JavaScript.
  • Pré-renderização resolve o problema na maioria dos sites institucionais.

Se quiser que a gente rode esse teste no site da sua empresa, é só entrar em contato. Também explicamos como trabalhamos na página de criação de sites.